Anna Traiano

Repente da Rotina

Vou te contar uma história
Que, de fato, é bem comum,
Pra que fique em tua memória
Sem querer de jeito algum
Desanima-te da busca
Nem parar tua procura
Daquele amor que ofusca
E te faz cometer loucura.

João conheceu Maria,
Maria conheceu João,
E a vida que parecia
Não ter nenhuma emoção,
Ficou assim colorida,
Diria eu cor-de-rosa,
Ela toda derretida,
Ele amando em verso e prosa,
Se declaravam sem medo,
Sem limite e com paixão,
Não tinham nenhum segredo
E tiraram os pés do chão.

Nada mais lhes importava,
Bastava apenas o amor,
Quando ele lhe falava
Das margaridas em flor,
Ela encantada dizia
Que tinha toda a razão,
E tudo o que ela fazia
Era certo, sem discussão.

Então casaram-se um dia
Maria casou com João,
João casou com Maria
Juraram eterna união.
Era como numa poesia,
Lindo dia de primavera,
Era tudo o que ela queria,
Ele sempre assim quisera.

Chegaram os filhos e junto
As contas para pagar,
João ficou sem assunto,
Maria sempre a trabalhar.
Perderam a cerimônia
De se tratar com doçura,
Viviam com parcimônia,
A vida ficava dura.

O tempo passou voando
E vinte anos depois
Quem os viu namorando
Não reconhecia os dois.
As coisas que ele fazia
Eram erradas, certamente,
João dizia que Maria
Era pior que uma serpente.

Outrora quando chovia
João se punha a cantar,
Pois assim ele poderia
A sua amada abraçar.
Agora, se chove um pouco,
João logo anuncia
Hoje vou ficar louco
De olhar pra cara da Maria.

Amar é de fato uma sina,
Te alerto deste senão,
Se liga, linda menina
Cuidado, meu garotão,
É inevitável a rotina
Não me pergunte a razão.

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